Duas almas "O amor é a maior coisa que se pode dar." No banco frio e acinzentado daquela praça, duas almas trocavam confidências. Em meio ao crepúsculo cúmplice e o céu avermelhado anunciando o fim de mais um dia, duas almas se amavam. As árvores de troncos retorcidos e folhas generosas eram a única testemunha do que se passava. O barulho das folhas secas no chão, varridas pelo vento, quebravam o tranqüilo silêncio do fim de tarde. As duas almas que lá estavam formavam um grande ser, poderoso e indivisível, ligadas pelo mais divino amor. Mas elas sabiam que isso não bastava e por mais que quisessem ser felizes, não podiam ter este sentimento totalmente realizado. Faltava algo. Faltava ver nos olhos das outras almas a mesma alegria que irradiava dos seus; era preciso que todos compartilhassem com elas a sua alegria. Mas, como isso seria possível ? Se todos aquelas outras almas que passavam abaixavam suas cabeças para os demônios que assolavam as suas vidas; e se a muitos faltava a essência que lhes garantia a vida. - Talvez poderíamos atingir a felicidade, se todos nós tivéssemos o necessário. Nem a mais, nem a menos, o necessário... - suspirou uma das almas, com uma inocência comovente. A outra alma que sempre estivera ao seu lado virou-se de fronte à sua face e, docilmente, beijou-lhe o rosto. Então, com sua voz serena e firme, lançou: - Há muito tempo em venho pensando o mesmo que você. Mas, na verdade, o amor é o ponto de partida para tudo. Foi te amando que eu aprendi isto: se todos se amassem com a força que eu amo você, a satisfação das necessidades de todas as almas seria apenas uma conseqüência. O amor é a chave. E ficaram ali, apreciando o início da noite e a sinfonia que as numerosas cigarras protagonizavam. A praça permanecia serena e as duas almas que ali estavam adormeceram em sono tenro e infalível... |