Sinfonia do Além Fabiana era arrancada da cama pelas pulsadas insistentemente perturbadoras do despertador. Era mais um dia que alvorecia. O sol já se abria no horizonte, forte e a brisa da manhã acariciava o rosto da jovem estudante, revigorando suas energias. Eram 9 horas. Tardias nove horas. Hoje era dia de avaliação, como fora esquecer ? Rapidamente, Fabiana arruma-se de improviso, movida pela pressa. De súbito, a campainha toca: - Ah, não! Mais essa agora! Ainda com o cabelo despenteado, a estudante dirige-se para a porta soltando murmúrios de insatisfação. Era o tintureiro, trazendo o seu casaco de pele. - Ai, meu Deus! Não estou com dinheiro agora. Que droga! O tintureiro se irrita com a demora: - Como é, dona, não tenho o dia inteiro! Fabiana ainda não estava totalmente acordada. Confusa no seu pensamento, ela fez um apelo: - Sinto muito, mas pedirei que o senhor passe mais tarde. O tintureiro elevou os ombros e soltou: - Então eu também sentirei muito por ficar com o seu casaco. Sem tempo para discutir, a moça bateu a porta na cara do tintureiro. Retomaria essa questão mais tarde e o faria engolir suas audaciosas palavras. O casaco de pele era um membro da família, estivera presente em todos os momentos importantes: festas, casamentos, batizados... Fabiana esquece a raiva e deslumbra pela janela o céu promissor. Mas...há algo errado! Nada parece se mover. O relógio tão barulhento cala-se repentinamente. Fabiana resolve checar. - Curioso! As pilhas estão novas. A paisagem permanece estática; nenhum cúmulo desloca-se um centímetro sequer e o sol parece não querer mais se mexer. Ela então procura uma explicação lógica para tudo, mas a sua cabeça já não raciocina com clareza. Um relógio! Nada mais cabal! Com certeza, deve ter perdido a noção do tempo. Na volúpia de saciar a sua dúvida, corre pelos cômodos de sua casa: o quarto, a cozinha, a sala, mas tudo está tão... sem movimento! Nesse momento, ela se dá conta do que ocorre: todos os relógios estão parados no mesmo horário, numa precisão aterradora. O céu de verão já não é tão bonito e o silêncio é tão intenso, que nem o gorjear alegre dos pássaros pode ser escutado. Uma imensurável força entra pela janela e toma conta de seu ser. Agora, a lógica inexiste. Todos os objetos começam a tomar contornos estranhos, disformes, hora aumentando, hora diminuindo e a luz intensa cega sua visão. Fabiana se vê passando por vários mundos em uma viagem alucinante. Passado e presente juntos, numa sinistra combinação; numa sinfonia, de notas efêmeras, tocadas pelas mãos do espaço e do tempo. Para onde estava indo ? Como a Física explicava aquilo ? Viagem interdimensional ? Ninguém pode afirmar nada, nem ela mesma. Contudo, tudo aconteceu muito rápido. Fabiana acorda. São quase nove horas da manhã. Está atrasada para sua avaliação. Será que tivera uma visão do futuro ? Arruma-se rapidamente e sai para a rua com pressa. Quando abre a porta do elevador, defronta-se com um senhor de meia idade e traços orientais. Na sua mão direita, carregava um cabide com seu casaco de pele... Fabiana era arrancada da cama pelas pulsadas insistentemente perturbadoras do despertador. Era mais um dia que alvorecia. O sol já despontava no horizonte, forte e a brisa da manhã acariciava o rosto da jovem estudante, revigorando suas energias. Eram 9 horas. Tardias nove horas. Hoje era dia de avaliação, como fora esquecer ? ???
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