O
Casamento
SOL
– Ao entardecer daquele dia de domingo, as ruas de Strasbourg ficaram mais
movimentadas para assistir ao desfile da noiva. Pela ruas, extensas filas de
convidados acompanhavam, até a igreja dos frades, a noiva, que arrastava um
lindo manto branco, cuja fazenda brilhosa reluzia no tapete felpudo da indústria
Persa.
No altar, o noivo aguardava sua chegada, uniformizado com a farda militar de Gala. Sons de instrumentos e vozes entoaram melodias de Veneza. A Igreja estava maravilhosa. Muitos lampiões iluminavam todo o interior. As rosas vermelhas ornamentavam a entrada e os altares. As damas ostentavam vestidos compridos e rodados de fazendas luxuosas. Entre as essências dos perfumes das damas e dos cavalheiros, sentia-se também o cheiro da flor de laranjeira.
Quando o padre entregou ao noivo o par de alianças, uma intensa chuva de pétalas de rosas brancas, vinda das galerias, dava a impressão de que a neve caía sobre o casal.
BOTÃO DE ROSAS – A vida de Gutenberg parecia que ia ser um mar de rosas. Porém, depois de algum tempo de convivência, ele descobriu que Ennelin sofria de uma doença que na época atual dá-se o nome de Psicastenia: fraqueza intelectual, tendência mórbida para dúvidas, hesitações e predomínio. Ennelin era igual a um diamante talhado: por cima, em facetas, apresentando, por baixo, uma superfície chata ou por lapidar. Ela tinha instintos selvagens quando sentia hesitação ou dúvida. A vida conjugal para Gutenberg tornou-se difícil, cheia de espinhos, principalmente quando Ennelin ficou em estado de gestação.
Quando nasceu a filhinha, Gutenberg pensou que ela iria se modificar, mas isso não aconteceu, ao contrário, ficou pior. Até que um dia Deus teve pena por ele não merecer aquela vida tortuosa. Então, fez com que Ennelin voltasse novamente ao Juiz e pedisse o divórcio. Mesmo assim, Gutenberg queria viver com ela até o final de sua vida. A Justiça liberou Gutenberg daquela responsabilidade.
Ele dizia:
- O casamento é indissolúvel.