Conflito em Mogúncia – (Mainz)
CAVALEIRO
– Montado num cavalo cor castanha, Gutenberg chegou à cidade de Francfort
”justamente” com o cão pastor alemão. Na casa do avô, ele ficou esperando
a chegada do Lorenz conforme haviam combinado. Lorenz chegou e ali mesmo fizeram
os planos do itinerário da viagem que deveriam seguir sem ser
molestados
pelos perseguidores.
Lorenz assim comentou:
- Johann, em 1415, o imperador Segismundo de Luxemburg mandou queimar vivo, no concílio da Basiléia, o reformado checo João Huss, apesar dele ter dado um documento como salvo conduto.
- Gutenberg escutou o comentário e dissimulando um pouco, disse:
- É, estou vendo que tão cedo esta guerra não vai terminar. - Sabe de uma coisa, Lorenz, vamos viajar amanhã antes do sol nascer. Iremos quase a pé, pois só temos um animal selado. Quando um de nós sentir que está cansado, então se utiliza o cavalo. O caminho é em direção ao Rio Reno, você sabe, daqui lá são 524 km. Acredito que antes de 60 dias não chegaremos a Viena. Vai ser preciso dar uma grande volta para poder chegar às margens do Reno. Acredito que certos postos já estão dominados pelos adversários. Se nós conseguirmos chegar ao último posto do mesmo Rio, seguiremos então a estrada em direção ao Rio Danúbio, que será a última baldeação. Tenho mensagens para serem entregues em Viena.
DANÚBIO – Foi com bastante sacrifício que Gutenberg conseguiu alcançar as margens do rio. Era época de verão, as águas não estavam turvas. O Danúbio corria mansamente azulado. Por isso facilitou a navegação. Durante a noite, enquanto os passageiros dormiam, Gutenberg escutava o barulho dos remos movimentando a embarcação e uma verdadeira orquestra de animais aquáticos. Numa noite enluarada, alguns dos viajantes cantaram diversas músicas. Valsas de Viena acompanhadas por certos instrumentos: Viola, saltério e concertina.
Enquanto isto, o Jovem contemplava as maravilhas do céu estrelado, deitado no leito da camarinha de onde podia-se ver o nascer do sol, dando a impressão que tudo se balançava com o movimento dos remos da corveta.
No porto, o navio ancorava e os marinheiros faziam o descarregamento das mercadorias exportadas. Era o meio mais fácil de transporte naquele tempo.
Com toda aquela movimentação, a mente de Gutenberg não parava um só minuto de pensar nos assuntos da guerra.
- Justamente
agora. Isto não podia acontecer, porque meu Deus? Não era esse meu ideal.
O rapaz estava ficando nervoso, mas ouviu uma voz animadora:
- Cristo
também sofreu, tenha confiança... Esperança!
A noite estava maravilhosa e ele relembrou os dias em que conversou com Annet.
- Eu
podia estar hoje ao lado dela. Estou só... A Lua, a Terra e os outros planetas
giram em torno do sol sem nenhum obstáculo. Que coisa mais linda! Eu também,
com o poder de Deus, hei de vencer...
Depois dos acontecimentos, Gutenberg passou a ficar solitário, mais desconfiado; seus cabelos castanhos claros ficaram mais compridos, assim como a barba e o bigode. Se algum dos seus parentes o visse, talvez não o reconhecesse. Não era disfarce, nem revolta. Era paixão ”pelo ideal” que nutria dentro de si.
- “Logo
agora. Veio a imperar na Europa. Parece que um forte temporal desabou sobre a
minha cabeça. Destruiu casas e árvores.”
Os habitantes, dentro da tensão, sentiam saudade, angústia, fome, perseguição, desemprego, miséria, invalidez pelas armas dos inimigos. Crianças ficaram órfãs, animais morreram nas vastas planícies, nos campos de batalha, juntamente com os seus arqueiros. Os pássaros fugiram para outras regiões e o maldito fogo destruiu aldeias, vilas e cidades. Só restaram as cinzas do passado. Naquele tempo tudo corria sem destino certo, mas Gutenberg só tinha bons pensamentos.
- Como seria maravilhosa a vida se não houvesse guerra. Para que brigar se não somos nada? O mundo não pertence a ninguém... Deus criou esta coisa linda e ofereceu tudo de graça ao homem.
Nesta altura, o navio apitou anunciando sua chegada ao Porto de Viena, na Áustria.