Dramas da Revolução


A Expulsão de Casa

FRIELE – Quando foi preso, estava elegante com um bonito traje da moda do século XIV. A calça e a casaca na altura dos joelhos, a cor escura da roupa e a face rosada faziam salientar aquela aparência de alemão.

A embarcação em que Friele viajava distanciava-se da cidade, mas podia se ver aspectos do incêndio nos prédios. Ele olhava o desenrolar dos acontecimentos sem saber a gravidade dos fatos. Apesar de tudo, mantinha uma aparente calma, julgando ser coisa passageira.

LAGÓPODE – Nas montanhas, quando a fumaça atingiu aquele local, as aves ficaram agitadas com os apitos dos navios, os sinos das igrejas e o cheiro da fumaça  saindo das tocas, nas montanhas.

GUARDA – No mesmo instante, Gutenberg dirigia-se para sua residência a fim de saber o que se passava lá e, ao chegar, notou algo estranho.

Um guarda se encontrava no interior da mansão. Era moreno de lábios grossos (também era impossível notar outra coisa, por causa da armadura) e ditava ordens com energia:

Preparem-se para deixar esta casa.

Naquela momento, na residência dos Gutenberg, aconteciam cenas lamentáveis e desagradáveis. Lá estava o militar, ditando suas ordens.

Madame Elteville foi quem abriu a porta para ele. Era uma figura de uns 80 anos de idade, mas tinha a aparência de uma mulher lúcida e saudável, além de locomover-se com grande mobilidade.

Quando sentiu o drama da situação, começou a demonstrar seu conhecimento sobre as leis existentes no País e sobre os direitos humanos:

Esta família é protegida pelos Frades Capuchinhos e no momento não estão aqui nem meu genro nem meu neto.

Em dado momento, entrou na sala um monge, enquanto o soldado tirava o pergaminho do bolso e falava:

Ordeno aos moradores desta mansão saírem dentro de poucos minutos. Prenda-se Johannes e Friele que serão despatriados por serem políticos adversários da política do Príncipe.

Johannes sentiu que o mensageiro não o havia reconhecido em seu disfarce, nem sua própria mãe, nem sua avó.

As senhoras venham comigo, vou levá-las para outro local até passar a revolução.

Na frente do prédio, tinha uma charrete encostada esperando a saída de Johann Gutenberg. Os quatro se ajeitaram na carroça e o rapaz guiou os animais em direção à concentração do convento. Durante a viagem, Gutenberg não falou nada.

Else estava trajando um vestido vaporoso, o decote redondo deixava aparecer um pedacinho do ombro, mostrando a cor clara da pele. Na cabeça, tinha um gorro muito bonito feito de crochê, tecido com lã e no lado esquerdo tinha dois pompons enfeitando.

Madame Elteville estava com um vestido longo cor escura, levava nas costas um chale e na cabeça uma touca também de crochê, cujas abas eram franzidas com fitas enfiadas.

Hebbe, irmã de Gutenberg, já era moça feita, usava um vestido um pouco mais curto de fazenda estampada, cujo padrão era bolas do tamanho de um ovo. Na hora em que estavam arrumando as coisas para sair daquela casa, Hebbe só encontrou um pé de sapato - de verniz, tipo canoa e tinha uma tira de couro transpassando o peito do pé até encontrar-se com outra, dividida em duas outras mais estreitas, formando um triângulo dos lados.

Enquanto os animais faziam girar as rodas da charrete, que seguia em direção ao convento, podiam apreciar as cenas alarmantes da revolução. O soldado ainda permanecia na residência de Friele fazendo vistorias nos documentos e objetos, procurando por algo que pudesse comprometer aquela família.

Finalmente a carroça chegou ao destino e os quatro desceram e entraram no convento. De tão cansado, Gutenberg deu um suspiro de alívio. Levantou a batina e tirou o capelo para respirar melhor. Foi aí que, amortizando o choque, a mãe e a avó reconheceram que o frade não era ninguém menos que seu filho e seu neto.

Elas choraram emocionadas e com a voz sufocada, Else disse:

Johann, fuja para outro país, porque senão você vai ser preso.

Gutenberg fingiu não ouvir as palavras de sua mãe e perguntou:

Mamãe, a senhora sabe para onde papai foi?

Else respondeu que Frielle não havia chegado em casa até a hora de sua saída da mansão. E então determinou:

Johannes, você e Hebbe vão juntos lá na casa de campo transmitir os acontecimentos ao Henrique e ao Lorenz.

Os irmãos saíram em direção ao pequeno sítio. Como um bom filho, Gutenberg gostava de obedecer sua mãe em qualquer circunstância da vida.


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