A Morte de Else


PÉ CALÇADO DE MULHER – Quando estava na França, Gutenberg recebeu um chamado urgente para ir à Mogúncia, na Alemanha, pois sua mãe não estava passando bem. O filho partiu imediatamente numa embarcação “polaca”, com destino a sua terra natal. Ele pressentiu que algo de muito grave havia acontecido. Como de fato, ao chegar ao antigo lar, viu a mãe já inerte numa cama de rodas. Else estava tão bonita que até parecia sorrir de alegria com a chegada do filho querido que há tanto tempo estava ausente. A mortalha era uma túnica azul, gola larga com as pontas à altura do queixo, contornada com fios dourados. A fazenda era grossa dando-lhe, assim, a aparência de que ela iria a uma festa de gala. O sorriso nos lábios roxos embelezava sua figura elegante e simpática.

O filho ficou tão emocionado que nem teve lágrimas para chorar, ou talvez tenha ficado conformado em saber que naquele dia os sofrimentos dela haviam terminado.

CAMA – O leito em que Else repousava tinha quatro rodas, fácil de transportar a paciente. Antes do falecimento, todos os dias a cama era conduzida para o alpendre onde a paisagem oferecia uma vista maravilhosa nos dias de verão.

SANGUE SAINDO DO NARIZ DO TOURO – Else sofreu hemorragias provocadas pela ruptura dos vasos sangüíneos. Isto aconteceu no mês de maio quando ela contava sessenta e nove anos de idade. Ao velório, compareceu grande número de pessoas de todas as camadas sociais, principalmente irmãs de caridade, padres e protestantes.

MOUSOLÉU – Uma longa procissão chegou ao cemitério conduzindo o corpo. As pessoas ostentavam roupas de fazenda pesada, mantilhas enfeitavam os rostos tristonhos das damas. Os homens pareciam estar uniformizados com roupas escuras. As capas longas e chapéus de feltro tampavam-lhes as cabeça embranquecidas e louras. Na campa, já existia uma estátua em bronze da avó de Gutenberg. A caricatura sustentava na cabeça uma beca, já que Madame Elteville havia sido professora.

CRUZ – Na sepultura, havia também uma cruz latina.

SOMBRAS – Às 16 horas, o corpo desceu ao túmulo. O sol clareou o céu e a terra como se estivesse dando, naquele momento, luz ao espírito. Agora só restavam as boas recordações e a impressão do passado nas mentes das pessoas que ali assistiam, cujas sombras refletiam-se no solo.

PERTEN ZUN GENSFLEISCH – O avô de Gutenberg, naquela ocasião, já estava muito velhinho, mas não deixou de dar o último adeus à nora, apesar de quase não poder  andar devido à visão.

CLAUS VITZUM – Era cunhado de Else, foi um dos herdeiros dos bens da sogra, Madame Elteville. Claus era gordo e calvo, acompanhou Gutenberg naquela hora de dor, tomando todas as providências para a realização funerária. Eles foram os últimos a sair do campo santo, enquanto outras pessoas espalharam-se dentro do cemitério à procura dos túmulos dos seus entes queridos.

ESPÍRITO NO ESPAÇO – Depois do acontecimento, muita gente tinha fé no espírito de Else. Faziam orações pedindo algo, obtendo o benefício.

SAVEIRO – Gutenberg não quis ficar em Mogúncia. Quando passou o 7º dia, vestiu seu uniforme militar e seguiu o caminho do porto fluvial à procura de um transporte marítimo para a França. A única naquele momento era um navio de carga que deveria sair assim que terminasse seu carregamento. Após conseguir uma passagem de emergência, logo escutou as ordens do comandante dando o sinal de partida.

Levantem âncoras, subam, soltem as velas. Marinheiros, tomem posições nos seus postos.

O Navio deslizou pelas águas do rio Reno, tocado a vela e pelos escravos até chegar à França. Durante a viagem, Gutenberg observava silenciosamente a cadeia montanhosa e a sombra da Floresta Negra, achando tudo triste, até mesmo aquele lugar.


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