O Falecimento


FISIONOMIA – Aos 68 anos de idade, Gutenberg ainda possuía uma boa aparência, saudável e alegre, apesar de já sofrer das vísceras e enfraquecimento da visão. Só conseguia ler quando colocava sobre o papel manuscrito ou impressão uma lente de grau bastante elevado.

MÃO ABERTA – Era uma pessoa pródiga e generosa, seu coração bondoso cativava as pessoas. E por isso tinha grande influência na vida social, no meio em que vivia.

MÃOS CRUZADAS – A doença, cada dia que passava, agravava-se mais, impossibilitando-o de continuar sendo mordomo. Sentia constantes dores abdominais, intoxicação e infecção dentária, proveniente da profissão anterior em que  lidava com substância tóxicas.

MONGES – Durante o período de sua enfermidade, recebia constantemente visitas de pessoas amigas e da Irmandade de que fazia parte. Num certo domingo, estiveram em sua residência dois Pastores. Conversaram vários assuntos bíblicos baseados na doutrina cristã. Depois daquela palestra, ele recebeu a Santa Ceia e em seguida foi ungido com o óleo sagrado.

ALDRAVA – A tranqueta de ferro, em forma de uma mão, estava colocada atrás da porta da camarinha e funcionava a todo instante, abrindo e fechando a porta para os visitantes que queriam saber como estava passando o enfermo, cujo estado de saúde inspirava cuidados. Assim comentava-se em Mogúncia.

MÃOS CRUZADAS SOBRE O PEITO – Eram seis horas da tarde. No dia 3 de fevereiro de 1468, o tempo estava com a temperatura abaixo de zero grau. Gutenberg escutou os sinos tocarem a Ave-Maria no alto das torres das Igrejas. Ele fez orações em louvor a Deus e à Virgem Maria, pediu perdão a Jesus Cristo pelos pecados cometidos. Ao terminar, sentiu fortes soluços. O escravo levantou-se da cadeira e ficou perto dele. Lorenz notou que os olhos de Gutenberg estavam parados e abertos. Uma voz fraca pediu:

Por favor, Lorenz, vá chamar Ennel e Peter, estou muito mal.

O empregado saiu andando, apoiado num bastão. Lorenz já nem sabia qual era sua idade certa. Gutenberg considerava-o como seu segundo pai. O corredor comprido, com diversas portas, estava deserto. Mas Lorenz sentiu-se aliviado quando bateu na primeira porta e Peter veio atender.

Venham depressa. O patrãozinho está passando mal novamente. E quer a presença de vocês todos lá no quarto.

Na mesma hora, todos estavam ao lado de Gutenberg e Ennel então perguntou:

Papai, o senhor está melhor?

O Pai respondeu:

Não filha, sinto-me mal. Estou no final. Tudo consumado. Peça a proteção de Deus por mim. E a paz continue reinando neste mundo, principalmente nesta casa. A todos, deixo a minha benção.

Essas foram as últimas palavras de Gutenberg.

BOTÕES – O tumor que tinha no rosto estourou e saiu na mucosa nasal. Foram cinco pingos de sangue.

PRETO – Diagnóstico: Gutenberg sofreu paralisação das vísceras e articulações, proveniente do urato (designação genérica dos sais estéreis do ácido úrico; intoxicação provocada pelo antimônio.); Aurose - enfraquecimento, depois perda da visão sem alteração do olho.

CAPELO – No corpo inerte, foram colocados a farda militar e o capuz da irmandade dos frades Capuchinhos.

FÉRETRO – No sepultamento, compareceu um grande número de pessoas na igreja dos Capuchinhos onde o corpo foi velado e sepultado. Tempos depois, os ossos foram levados e colocados no cemitério dos franciscanos.

Na Alemanha, os dias estavam com a temperatura abaixo de Zero grau, enquanto que aqui no Brasil o sol do verão brilhava na vasta região quase desabitada, dominada por pequenos grupos indígenas que ocupavam o litoral com costumes diferentes dos habitantes do Antigo Continente. Usavam tangas feitas de pêlo de animais e penas coloridas. Ao nascer uma criança, achatavam o nariz do recém-nascido com o dedo polegar. Comiam bife de carne humana e moravam em palhoças. O Brasil era um tesouro que ainda não havia sido descoberto, mas, Portugal já fazia planos para atravessar o Oceano Pacífico, pois a terra não era plana conforme supunham.

Henrique, o Navegador, infante português, filho de D. João I, do Porto, trabalhou intensamente para a civilização Européia. Tomou parte na expedição “Centa”, onde colheu informações que confirmaram a crença de que havia muitas terras a descobrir para além do cabo Borjador, “limite das navegações”. Henrique foi o fundador da escola de navegação.

MONUMENTOS – Em homenagem a Gutenberg, foram feitas duas esculturas: uma em Strasbourg, cidade da França e a outra na Alemanha, composta com todos os membros que colaboraram para o desenvolvimento da imprensa escrita mundial. Existindo em Mogúncia o “GUTENBERG MUSEAM MAINZ”.


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