Reencontro com Annet


Para esquecer o passado, Gutenberg sentiu necessidade de voltar à sua terra natal. Teve a idéia de escrever para Annet, contando sobre sua situação com a filha para criar e os seus projetos em relação à imprensa.

Na carta, dizia:

Annet, a minha esperança é você...

Depois de ter contado todo o passado,  fez os seguintes versos:


Música da Imprensa

Eu estou
Sem amor
E trabalho na imprensa
Na França,
Agora sinto saudade
Do lugar onde
mora meu amor!
Querida! Eu só posso lhe escrever,
Nesta eu quero lhe dizer!
Sou eu quem imprimo
Os escritos meu amor!
Agora você vai ver
Que na minha vida
Eu vou vencer.
Estou vendo o verde da esperança!
Numa folha de papel impressa,
Na qual você também
Vai ler: Gutenberg
Inventou os tipos e editou
As maravilhas que Deus criou
Pra todo mundo ler e saber.

A carta custou a chegar ao destino. Naquele tempo, ainda não existia o telégrafo. As mensagens eram transportadas por pessoas conhecidas ou então pelos pombos-correio e havia grande deficiência de estradas de rodagem.

Annet ficou muito feliz quando leu a correspondência e perguntou ao mensageiro:

O Senhor vai voltar para Strasbourg?

Ele respondeu que sim.

Então, aproveito a oportunidade e vou responder a carta de Gutenberg. É tão difícil acontecer da gente poder se comunicar com as pessoas distantes, principalmente quando estão em outro país.

Annet, então, escreveu:

Meu querido Gutenberg

Fiquei imensamente contente em saber notícias suas e ao mesmo tempo fiquei preocupada com a situação em que você se encontra. Para mim será um grande prazer vê-lo novamente. Venha logo. Há tanto que não o vejo! Pensei que você já havia se esquecido de mim. Traga sua filhinha para morar comigo. Aqui já tenho quatro crianças e não será difícil, para mim, criar mais uma.

Não sei se você sabe que infelizmente estou viúva. A vida para mim tem sido só de luta depois que você saiu de Mogúncia. Criar os filhos sem o pai é muito doloroso.

Tenho recursos financeiros, mas me falta o essencial, um amor.... A sua carta para mim trouxe uma vontade de viver novamente, pois sentia-me perdida num labirinto de uma estrada deserta, com as crianças ao meu lado.

Aguardo a sua vinda o mais depressa possível .

Um saudoso abraço de sua querida.

Annet

Annet enrolou o pergaminho escrito, amarrou uma fita verde estreita, deu um laço e entregou ao mensageiro de Strasbourg. Um mês após, Gutenberg lia a resposta da missiva de Annet. Aquela carta chegou como um bálsamo para o seu coração e o fez chorar emocionado pela alegria.

Organizou as coisas necessárias para a viagem com sua filhinha, Ennel, e viajaram numa galera sobre as águas do rio Sena. Levaram muitas semanas até chegar à Mogúncia. Quando o navio atracou no porto, lá estavam Annet e todos os seus filhos aguardando a chegada de Gutenberg na embarcação do Rio Reno.

No encontro, Gutenberg disse:

Há quantos anos que nós nos despedimos aqui neste local. Graças a Deus! Estou de volta sem nenhum embaraço.  Você continua sendo para mim a mesma Annet de antigamente. A menina dos cabelos brancos. Como estou feliz! .... Seus filhos já estão crescidos,  bonitos e fortes.

CRIANÇAS – Gutenberg disse à filha:

Ennel, veja quanta gente nesta casa! A nossa família agora é maior.

A menina falava muito bem o francês. Falava muito pouco o alemão e nem sempre entendia a linguagem do pai e pedia:

Papai, fala outra vez! Não entendi...

Gutenberg repetia a mesma frase na linguagem francesa, mas advertia:

Minha filha, você precisa aprender a falar alemão! Nós agora estamos morando aqui na Alemanha. Você já tem dez anos de idade.

E comentava:

Annet, essa criança não entende o que falo! Vou providenciar logo uma escola para que Ennel aprenda a falar nossa língua.

Não fique preocupado, Gutenberg, num instante ela vai aprender a falar conforme os meus filhos falam.

É verdade, até esqueci que estou chegando aqui na Alemanha. É claro que não vou ter certos problemas.

Ennel começou a estudar em casa, enquanto o pai arranjava uma vaga num dos colégios eclesiásticos. Gutenberg tirava a impressão das letras de madeira e ensinava a filha a conhecer o alfabeto alemão. Ele sabia falar vários idiomas e fazia questão que sua filha também aprendesse.


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