Fuga
para Viena
Aconteceu que quando Lorenz chegou no meio do
caminho, encontrou Gutenberg e voltaram para a casa de lapidação. Chegando lá,
Lorenz começou a chorar ao ver as rodas de lapidar com defeitos provenientes do
incêndio.
Lorenz, soluçando, exclamou:
- Veja, Johannes, as rodas de polir estão contorcidas, acredito que tão cedo não poderei trabalhar!
Gutenberg escutou e respondeu:
-
É, Lorenz,
você tem razão! - Escuta, você quer viajar comigo? Pretendo voltar para Viena
e lá tenho meios para sair desta situação.
- Johannes,
eu quero sim. Depois passarei para apanhar Ísis.
- Não, Lorenz, a sua esposa também vai conosco. - Eu vou sair daqui a cavalo até chegar às margens do Rio Danúbio, irei sozinho e espero vocês no primeiro porto da cidade mais próxima. Não posso perder tempo.
- Henrique,
Cláudio e Hebbe, vocês vão falar com a mamãe a respeito de todos os fatos
ocorridos, depois nos encontraremos perto da casa de Annet. Vou tentar falar com
ela também.
Despedindo-se
de Annet
ANNET DO PORTÃO DE FERRO – Era a namorada de Gutenberg. Uma bonita moça. Tinha os cabelos loiros claros, lisos e cortados na altura do pescoço. Os olhos eram como duas pedras de anil e morava no bairro mais chique da cidade. Seus pais tinham uma situação financeira muito boa.
Seu apelido se devia ao fato de não ultrapassar o portão da mansão, que vivia trancado. Quando ocasionalmente era vista na rua, estava sempre com uma dama de companhia. Os rapazes ficavam curiosos em saber algo sobre os seus encantos e Gutemberg foi um dos candidatos mais fortes. Apesar das poucas palavras que o rapaz trocava com Annet, ela se sentia feliz e encantada por ele.
Naquele dia, ele teve sorte. Annet estava passeando no jardim. Ela, ao ver o seu admirador, aproximou-se das grades do portão e ele a chamou:
- Annet,
Annet! Eu vou viajar, venha falar
comigo. Não posso demorar!
- Johann, para onde vai?
- Viajo
amanha de manhã para Viena. Acredito que será por pouco tempo e muito em breve
voltarei para casar-me com você. Quando eu chegar lá, mandarei uma cartinha
para você por intermédio de alguém que vier para cá.
A moça chegou a chorar no ombro de Gutemberg na hora da despedida.
Apoio Amigo
Depois disso, Gutenberg encontrou na praça uma turma de amigos. Eles fizeram uma rodinha e Gutemberg ficou no meio. Cada qual queria saber alguma coisa da revolução:
- Gente,
eu não faço parte do bando dos revoltosos.
- E por que estão querendo prendê-lo?
- Gutenberg, comentam que você faz concentrações na sua casa até altas horas da madrugada.
- Isto
não é verdade. Eu e os meus colegas trabalhamos no horário proibido pelos
estatutos dos membros das Associações de Artesanatos na casa de campo. Ficamos
lá cortando pedras preciosas porque durante o dia nós temos outras atividades.
Eu, por exemplo, sou calígrafo.
- Gutemberg, não se incomode, nós acreditamos em você. Todos que aqui estão não desejam que aconteça nada de ruim com você e sua família, já sabemos que a situação da sua família não está boa. O seu Pai quase morreu de vergonha quando foi preso. Ele vai para a França. E Você? O seu nome está na lista dos caçados e nós queremos fazer alguma coisa para ajudar vocês.
Gutenberg escutou as palavras dos colegas aparentemente calmo e assim reclamou:
- Só
sinto o que fizeram lá em casa, invadiram a casa dos meus pais, puseram os meus
parentes para fora, reviraram a casa toda. Procuravam não sei o que! Depois
disso, foram à lapidação, atearam fogo nas minhas máquinas de lapidar. - A
vocês eu só posso agradecer esta gentileza e, a todos, desejo boa sorte,
principalmente para os que estão
junto de mim.
Ao entardecer, um animal selado encostou na porta da casa de campo, enquanto por poucos minutos o dia chegava ao final. O céu ficou escuro e os pontinhos brilhosos apareceram no manto azul e a lua surgiu no horizonte. Os caminhos estreitos por onde Gutemberg iria passar já não estavam mais escuros, graças a Deus, assim a viagem foi facilitada.