A Pequena Isa

Situada na parte inferior da região, isolada da vizinhança, a casa inacabada, seus irmãos, os assuntos dos adultos e os diversos brinquedos espalhados pelo imenso quintal pareciam não cativar uma pequena Menina, de pele clara, cabelos semi-encaracolados, com seu vestidinho feito de corte caseiro com suaves bordados, modesto presente do seu 7º aniversário.

A pequena Isa cultivara o hábito diário de distanciar-se dos cuidados maternos, empreendendo pequenas incursões por aquele paraíso natural e, um dia sim e outro também, subia a irresistível colina, apesar da dificuldade provocada pelo tropeço dos seus pequeninos pés escorregadios, inevitavelmente molhados pelo contato da relva, umedecida pelo orvalho noturno.

Levava consigo o desejo de conhecer coisas novas, andar, andar, ver e observar tudo ao seu redor e já que tinha liberdade para isto. Sua vida era dedicada a percorrer e explorar o Vale, ficando a cada investida mais fascinada pela beleza que espontaneamente testemunhava.

Do alto, virou-se para trás, observou com espanto sua casa que daquela distância mais parecia um de seus desinteressantes brinquedos de madeira, atenta a tudo ao seu redor, ouviu o som familiar das vozes vindas de sua residência e erguendo à frente seus lindos olhos, contemplou a maravilhosa visão com que a natureza privilegiara aquele local, respirou o aroma das diversas flores e, minuciosamente, percorreu com o olhar toda a extensão coberta pelo imenso verde, sentindo-se amparada e totalmente protegida pela fiel guarda das enormes árvores. Fascinava-lhe perceber o Sol com toda sua majestade em seu matutino despertar, espreguiçar-se por entre as copas daquelas seculares árvores.

Brincando com o reflexo do sol que batia ligeiramente sobre sua pele, Isa seguia extravasando sua alegria e a total liberdade, cantarolando uma de suas canções favoritas, bailando ao próprio som. Seu minúsculo corpo parecia perdido diante da imensidão da paisagem e por descuido tropeçou numa pequena planta baixa e desceu deslizando com o bumbum pela grama, parando a alguns centímetros à frente, achando muita graça da agradável sensação provocada pelo improvisado escorrego. De pé, olhou sobre os ombros, percebendo que por trás, seu vestido estava molhado o suficiente para fazê-la preocupar-se com uma possível advertência materna, mas quem poderia cumprir certas recomendações diante daquele monumental cenário?

Saltitando, seguiu veloz e logo se viu deitada bem próximo ao improvisado Lago, tendo ao redor certas plantas aquáticas, constituindo-se sua água cristalina, uma parada obrigatória das aves que ali reabasteciam o fôlego para a continuação dos seus prolongados vôos.

De bruços, com suas mãozinhas sobre o queixo, a pequena Isa permaneceu ali por horas e horas, olhando com profunda admiração o que considerava um Lago, mesmo que ele não tivesse todas as características exigidas para tal. Ela já havia decidido; seu Lago era um Lago e pronto!.


< Anterior    -   Voltar a Evirt    -   Próximo >