O Grande Jardim


O solitário Menino recordou pela manhã do quinto dia o bonito sonho que tivera,  onde se viu com todo tempo do mundo exclusivamente para se dedicar ao seu primordial interesse: ser Amigo da pequena Isa. Tinha agora pouco tempo para as matinais partidas com os seus amigos e certamente Bolão e Tronco, “O Artilheiro”,  confabularam entre si, comentando essa nova situação que os relegara a segundo plano.

Sua mente parecia cronometrar o tempo que o separava da chegada da Amiga e a ansiedade o envolvia a cada dia mais e, como das vezes anteriores, seus olhos brilharam de contentamento ante sua chegada e correndo em sua direção, logo lhe perguntou:

-  Onde iremos hoje...?

A sorridente Menina imediatamente respondeu:

-  Vamos... conhecer o Grande Jardim.

Tratava-se de outra privilegiada área natural onde, de forma exuberante, diversas espécies de plantas e flores conviviam lado a lado, como se estendendo seu incomparável manto, colorindo e perfumando uma grande extensão, formando um grande Jardim. A Menina, demonstrando sua felicidade, desfilava por entre as flores devidamente perfiladas, saudando-as com um entusiástico “Olá!” e apontando,  apresentava-as ao Amigo, emitindo sua opinião sobre as particularidades de cada uma, referindo-se a determinadas espécies, por nomes, batizados por ela mesma.

Ele, sem nenhuma experiência com o reino vegetal, mantinha  seus braços cruzados e seguia-a ouvindo suas explicações coberta de entusiasmo.

Ela caminhava na direção de cada uma das fileiras de cada espécie, ajoelhava-se diante de algumas e de forma muito natural, travava com elas carinhoso diálogo. Alisava com extremo cuidado as folhas das plantas, colocando sua mãozinha sobre elas e diante de algumas flores, encostava seu rostinho, como a sentir o delicado carinho das pétalas a lhe tocar. Do lado oposto, o jovem Menino já não mais achava tão estranha sua amiga. Já estava se acostumando com suas atitudes: ela abraçava e falava com as árvores, via um apavorante incêndio numa minúscula fumaça e até dava nome às flores e plantas. mas afinal, ele também conversava com os seus inanimados amigos. Bolão, Cansado e Tronco, o artilheiro, não o deixariam negar. A admiração demonstrada pela Menina diante daquele invejável cenário natural obrigava-o a atentar para uma beleza até então despercebida.

Ela que nunca perdia uma oportunidade de falar e explicar, diante do seu cordato ouvinte, esclareceu:

-  Elas são muito importantes para nós... dão beleza e perfumam... E fazendo o Amigo percorrer junto com o seu olhar toda a extensão do grande Jardim, finalizou:

-  Elas são muito bonitas e gostam de ser observadas.

O Jovem, que a cada dia aprendia coisas novas com a Amiga, conduziu seu olhar da  primeira à última fileira, contemplou toda a beleza formada pelo grande manto de flores e ao retornar seu olhar, observou demoradamente o rostinho da amiga, assimilando em sua mente tudo que ouvira.


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