A Rara Flor Branca
Depois
seguiram uma difícil trilha até o lado oposto, onde também perfiladas, outras
espécies de flores pareciam reconhecer a presença da menina, já que balançavam-se
propositadamente, pendendo justamente para o seu lado. Mais uma vez, a Menina se
dirigiu a todas saudando-as:
-
Olá!... Minhas
amiguinhas...como vão vocês...? – E ainda
mais próximo, fazia gestos e cantarolava uma de suas canções favoritas que falava de uma grande amizade.
Junto
à Menina, que ganhara toda sua simpatia, Yarlen assistia à demonstração de
afeto da Amiga, que prosseguia:
-
Quando eu quero apanhar uma flor desta, peço licença e a retiro sempre
com muito carinho. E apontando numa direção mais afastada, suspirou e afirmou:
-Aquelas lá... – Abaixou o tom
da voz, enquanto apontava para um jardim distante de difícil acesso, formado
por exóticas flores brancas e concluiu: -...São as que eu mais gosto...,
mas nunca consegui apanhar uma... Elas ficam protegidas por muitos galhos
e muitos espinhos...
O
Menino entusiasmado logo gritou:
- Eu vou apanhar uma para você! – Disse sem pestanejar.
Pouco adiantaram as observações sobre perigo... espinhos...., ele não perderia de forma alguma aquela oportunidade de agradar sua enamorada. Intrépido, lá se via ele, mato a dentro com o único objetivo de disputar, vencer e trazer o troféu para sua amiga, a linda e rara Flor Branca e como que driblando os adversários em uma de suas costumeiras partidas com seus amigos, saltava de um lado para outro, desvencilhando-se dos obstáculos, como o longo córrego, galhos de vários tamanhos e principalmente os espinhos das ervas que protegiam a fileira das lindas Flores Brancas.
Finalmente, ao se ver frente ao objetivo, sorriu por imaginar a satisfação da amiga ao receber a flor. Pediu licença, retirou com cuidado e carinho, como mencionara a amiga, a linda flor, admirou-a, sentiu seu agradável perfume e sorriu novamente, ao concluir que a linda Flor Branca combinava muito com sua Amiga e ainda com mais entusiasmo, iniciou sua volta.
Talvez a euforia tenha sido responsável pelo seu descuido, impedindo-o de vencer o penúltimo obstáculo do retorno, escorregou e... teve que segurar, como apoio, no perigoso galho, justamente o de espinhos, fiel protetor do corredor da rara Flor Branca. Yarlen deu um grito ao sentir um dos espinhos penetrar em seu dedo polegar direito, mas por honra não abandonou o grande troféu, passou-o para a mão esquerda e gemendo, retornou.
A Menina, que observara todo o acontecimento, começou a saltitar, tamanho seu nervosismo, indo imediatamente ao encontro do amigo, demonstrando profunda preocupação com a sua dor. Ele, ainda sobre o efeito da dor, entregou-lhe o objeto do incidente, recebendo da menina nervosa um carinhoso beijo no rosto. Ela tomou-o pela mão e notando que o dedo do seu Amigo e Herói sangrava, arrancou uma folha bem verde, esfregou-a ligeiramente sobre o dedo e em seguida o envolveu com a própria folha, conduzindo-o ao seu Santuário: o Lago.
Lá,
com o coração acelerado por ver seu Amigo chorando de dor, molhou a própria mão,
passou suavemente sobre o rosto do Amigo, tomou-o pelo braço, deu a volta pelo
lado lateral do Lago, onde uma parte da água era sempre morna à tarde,
aquecida pelo Sol, segurou o dedo
do Amigo e mergulhou-o na água naturalmente aquecida e, transmitindo-lhe
absoluta convicção, afirmou:
-
O Lago... logo vai curar a sua dor!
Realmente
a água morna do Lago foi mesmo o necessário bálsamo, suavizando de forma
gradativa a dor. Dos olhos da Menina, pequenas lágrimas se manifestavam ao
compreender o esforço do Amigo para apanhar para ela a inédita Flor Branca.
Yarlen
logo percebeu sua tristeza e desta vez tomou a iniciativa de reverter o quadro.
Começou a rir.... e enquanto a Menina o olhava ainda triste, ele começou a dizer:
-
Nós...parecemos dois maluquinhos... – E ainda rindo concluiu:
...Primeiro a gente chora e depois...a gente ri...
A Menina, concordando, logo pôs-se a sorrir, coisa que fazia como ninguém. Enquanto sorria, o Menino olhou para água do Lago e lá estava mais uma vez sua imagem favorita, o lindo rosto da Amiga num close incomparável. Pouco depois, Yarlen erguia seu dedo de um lado para outro sem mesmo lembrar-se de certa dor e, assim, mais uma vez a dor foi convertida em envolventes gargalhadas das graciosas crianças, tendo como observador ativo, o amigo Lago.