Entendendo a tal Saudade
Assediado
por todos ao final da Solenidade, o pequeno Yarlen sentou-se a pedido dos fotógrafos
à frente do Lago, segurando seu título e sua farda. O local lhe trazia as mais
agradáveis recordações e mais uma vez, de forma inevitável, lá estava seu
pensamento na sua grande e inesquecível Amiguinha. Lembrou quando ela tentara
lhe explicar sobre uma tal saudade. Ele, agora, finalmente, entendia de forma
clara o seu verdadeiro significado. Estavam vivas em sua mente suas palavras,
quando certa vez disse-lhe:
“Saudade
é ... quando a gente gosta, gosta, gosta muito e a pessoa demora voltar ou não
vem nunca mais...!”
O
desejo de revê-la era incontrolável e a impossibilidade, por demais, triste. O
que sentia por aquela Menina era muito forte para sua idade; Certamente mais
tarde entenderia melhor, mas... e até lá...?
E em nome deste incompreensível sentimento, cumpriria fielmente sua
promessa de proteger o Lago da Menina, isto porque, apesar da pouca idade, tinha
na mente que “promessa é promessa” e uma vez feita, tem que ser cumprida!
Sentia
também saudades dos amigos, Cansado e Bolão, que se foram e por pouco não
perdera também seu grande Amigo Tronco, o artilheiro, mas a saudade dela
era...muito diferente. Pensava nos momentos bonitos que havia passado com a
Amiga. E pensava consigo mesmo: “Ela era
muito gozada” - recordou quando ela, com a ajuda do Lago, lhe curara da
dor do espinho e quando correram sem parar,
um atrás do outro através dos bosques. Consigo mesmo podia admitir que chegou
a achá-la muito estranha, afinal ela abraçava as árvores, acariciava as
plantas e cantarolava para as flores. Lembrou
até quando ela se apresentou no primeiro dia,
dando-lhe um susto danado naquele dia,
fazendo-o pensar que o Tronco havia falado.
“Como pude pensar uma coisa dessa?”
- Analisou!
Ao olhar, a pedido dos Fotógrafos, para a água do Lago, imaginou novamente o rostinho alegre e risonho da cativante Menina e sua alegria parecia brotar. Percebeu, mais uma vez, que teria para sempre guardado em sua mente aquela imagem. Percebia que mesmo distante podia sentir o som de sua voz, como acontecia naquelas tardes, chamando-o e rindo das suas graças, mesmo quando ele não tinha intenção de fazê-la sorrir. Ela permaneceria diariamente com ele e sentindo o coraçãozinho bater mais forte, respirou fundo e também sentiu o envolvente cheiro da Flor Branca, a preferida da Menina que até se parecia mesmo com ela e, para a alegria principalmente dos Fotógrafos presentes, depois de muito tempo, finalmente reencontrou o seu antigo sorriso.