MULHERES DO RÁDIO
"Nós somos as cantoras do rádio,
Levamos a vida a cantar.
De noite embalamos teu sono,
De manhã nós vamos te acordar.
Nós somos as cantoras do rádio.
Nossas canções, cruzando o espaço azul,
Vão reunindo, num grande abraço,
Corações de Norte a Sul.
(João de Barro e Lamartine Babo)
Há muitos anos atrás, ninguém poderia sequer imaginar que a televisão seria inventada ou quando chegaria ao Brasil com sua rapidez de imagens e informações. As notícias chegavam mesmo na casa das pessoas e em todos os rincões do Brasil, através do rádio.
A primeira transmissão radiofônica aconteceu em 1922, e as emissoras amadoras começaram a transmitir em 1923. Chamavam-se Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, de São Paulo ou Rádio Clube (Paraná, Pernambuco, São Paulo, Santos e Ribeirão Preto.
O sucesso foi imediato com o aparecimento do patrocínio de anunciantes. Até os anos 70, diversas regiões do Brasil só tomavam conhecimento do que acontecia no país, através do rádio.
Programas famosos como "Ademar Casé", "Horas do Outro Mundo" e "Esplêndido Programa", transmitiam de tudo: música, teatro, contos, narrativas, humor, etc. Foi através desses programas que muitos cantores famosos puderam ficar conhecidos do grande público ou "fãs", como eram chamados os ouvintes da época.
O grande apogeu data da década de 30, com as rádios Record, Ipanema, Tupy, Mayrink Veiga e Nacional.
As mulheres é claro, não poderiam ficar de fora e soltaram a voz. Carmém Miranda - a pequena notável, uma portuguesa de apenas 20 anos, encantou o Brasil e a Argentina que chegou a visitar 32 vezes para shows. Ela, uma das mais completas daquele tempo, pulou do rádio para o cinema e para o estrelato de Hollywood, fato que não foi repetido por ninguém no Brasil, pelo menos com tanto sucesso.
Também encantaram o país, Silvinha Mello, conhecida como a "Bonequinha de Feltro"; Dalva de Oliveira, a "Voz Deliciosa"; Araci de Almeida, que ficou conhecida como "A Dama da Central", porque para viajar, ia sempre de trem. Tinha mêdo mortal de avião; Marília Batista; Rose Lee; Roxane; Alzirinha Camargo; Hebe Camargo e Emilinha Borba.
Nas rádios, até ópera permitiu a fama de cantoras clássicas como Bidu Saião e Christina Maristany.
Entre os speakers ( locutores), havia também as mulheres procurando seu espaço como Lúcia Helena, que no ano de 1936, abria na Rádio Nacional, todos os domingos do meio dia às 21 horas, o programa "Quando os Ponteiros se Encontram ao Meio-Dia".
Na programação, adaptações radiofônicas de textos teatrais, as famosas novelas do rádio, fizeram atores anônimos famosos como a intérprete Olga Navarro e atraiam o público com a mesma atenção hoje dispensada as novelas da televisão.
Eu sempre fui fascinada pela história romântica do rádio. Quando iniciei minha carreira de radialista em Imperatriz, tinha preferência em abordar sociologia e religião, do que fazer um programa apenas de entretenimento ou variedades.
Minha visão mudou sobre o estilo, aqui mesmo em Umuarama quando o Beto me abriu espaço no seu programa "Perfil da Noite" na Radio Cultura AM. O Beto já militiva em radio há vários anos. Malandrinha, eu fui chegando devagarinho e engoli o programa dele. Foi verdade!
Fiz minha estréia dando ênfase às entrevistas ao vivo direto do Centro Cultural onde acontecia a primeira Feira de Ponta de Estoque, pelo telefone mesmo. Eu chamava empresárias como a Conceição Catelan, Eliana Garcia, Lourdes Galleto (Cascavel), entre outras e pelo orelhão fazia a entrevista. Meu Deus, como eu era doida! O Beto ficava lá na rádio, na técnica fazendo a mesa e colocando as entrevistas e publicidades no ar. No rádio e em jornal, sempre trabalhamos juntos.
Dá rádio Cultura, fomos para Rádio Inconfidência com o programa já sobre meu comando. O Beto cuidava das vendas, da técnica, da elaboração e gravação dos comerciais. Lá, o sucesso veio rápido porque soubemos mesclar os temas de interesse da mulher e as entrevistas, com muita informação e música.
Muitas mulheres importantes de vários segmentos profissionais de Umuarama passaram pelo programa "Momento Mulher": Aparecida Monteiro da Silva, Dra. Thaunar N. Borba, Dra. Vírgina Bolonhez, Dra. Sandra Rahal, Dra. Gesimary Azevedo, Irene Dias Cardoso, Eliana Garcia, Conceição Catelan, Jane Januzzi, Neuci Saab, Graça Milanez, Miriam Batucada (In Memorian), Leonita Welter, Marcia Laino, Ciela Gimenez, Margarida Villas Boas de Moraes, Elizabete C. Ranzani (Bellanoiva), Antonia Amaral, Cleuza Braga Franquini, Claudia Tonial, Goreth Martins, Fátima Macêdo entre outras.
Durante um ano, o programa "Momento Mulher" ficou no ar sempre aos domingos e em 1992, resolvemos então dar um tempo, já que os compromissos da Imprensa não estavam permitindo que pelo menos no Domingo, a gente pudesse ficar em família, curtindo o merecido descanso.
No momento, tenho um projeto para FM mas vou deixá-lo guardadinho a sete chaves até que Deus me aponte o momento de viabilizá-lo.
Apresentar um programa de rádio AM requer muita disponibilidade e sacrifica bastante a profissional. Não pense vocês, que a boa profissional chega lá, senta na cadeira e vai falando ao microfone ao estilo do que ouvimos em FM ( Se bem que, na realidade em FM, tem se falado até demais, não é mesmo!). Se o programa é ao vivo e a maioria deles -o são, aí é que a profissional se destaca ou desaparece. Se quiser fazer um teste, tente lembrar o nome de cinco mulheres que atuam ou atuaram no rádio em Umuarama???
Eu, pessoalmente, me preparo e levo também toda a programação preparada. Gostamos de impor um estilo nosso e nesse ponto tenho muita admiração pela radialista Rose Alves, representante maior da mulher no cast do rádio umuaramense. Ela soube com muito profissionalismo criar um estilo próprio, inconfundível e fazer do seu programa um grande sucesso.
Outra comunicadora que promete pela garra e talento é Telma Camargo. Nossas ondas Hertz de amplitude modulada nunca estiveram tão femininas.