A LENDA VIVA VERA SCHUBERT
A minha maior homenageada neste livro primeiro é Vera Schubert, uma mulher que é um dos símbolos de Umuarama. Quantas mulheres e homens devem a ela o talento de saber hoje, tocar um instrumento, o piano. Qual a cidade que pode ter a honra de ter entre os seus, uma legítima descendente do fenomenal compositor Schubert? Abençoada seja, minha amiga pois sua vida, totalmente dedicada ao ensino musical é o seu maior legado para todas as gerações e seu nome, nunca, jamais, será esquecido.
Vera Schubert, esse encanto de mulher, nasceu em Viena, na Áustria e cedo despertou para a música, herança da mãe também pianista e sua primeira professora. Na família, sofreu influências também de tres tios que estudavam "contraponto" e "regência" com Gustav Mahler, Anton Bruckner e Leschetizki. Este último, seria também seu professor.
A vida naquele tempo na Europa não era fácil com duas guerras mundiais, Vera perderia devido à elas, seus pais, parentes, seu lar, sua pátria e também o sonho de seguir carreira como pianista. Em plena Segunda Guerra Mundial, seu país, a Áustria estava no centro do conflito, anexado pela Alemanha e como nos demais países ocupados, sofrendo com perseguições aos considerados opositores do nazismo e em cuja lista negra estavam incluídos também os artistas. Em 1941, data do seu casamento em Roma com as bênçãos em pessoa do Papa Pio XII, ela cansada de sofrimento, veio para o Brasil junto com o marido, o madeireiro Arthur Schubert (In Memorian). Os dois, desembarcaram em Santos-SP, moraram seis meses em São Paulo e depois, mudaram-se para Rolândia, onde nasceram seus filhos Rainer (In Memorian) e Marion, e finalmente, Umuarama, em 1959.
Ela relembra que naquele ano, a cidade só tinha um único hotel e um hospital. Não havia energia elétrica e muito menos, asfalto. Ela, o marido e os dois filhos do casal começaram vida nova, já que aqui não havia o perigo de guerras que tantos traumas haviam causado à família Schubert. Era o momento de reconstruir tudo novamente e assim foi feito.
Dona do único piano na Umuarama da época, Vera começou a ensinar aos humildes moradores a arte da música clássica colocando o primeiro alicerce da hoje consagrada Academia Musical Schubert, reconhecida a nível nacional como uma das melhores escolas de piano, instrumento que Vera considera o "mais sublime".
Como manda a tradição, começou a ensinar a filha, Marion aos treze anos, aliás sua primeira aluna e hoje, também professora da Academia Schubert. Para ela, Vera passou todos os seus conhecimentos e se surpreendeu com a rapidez do seu aprendizado comprovando a frase que diz que: "filha de peixe..."
Hoje, a Academia Musical Schubert é convidada para todos os grandes eventos relacionados com a música clássica. Desde 1974, é convidada de honra da Associação das Escolas de Música do Paraná que anualmente realiza uma concorrida apresentação em Curitiba, oportunidade que as escolas apresentam seus alunos ao piano à vista de grandes mestres e maestros.
Não é por acaso que o Centro Cultural de Umuarama leva o seu nome. Foram anos de muita luta e ela jamais admitiu que a música clássica fosse colocada em segundo plano. Para ela, a música clássica é absoluta, fundamental, infinita e sempre reinará soberana.
Formou centenas de alunos e alunas e mesmo diante de momentos difíceis como os do passado ou a recente e triste morte do filho Rainer, a abalam. Ela é uma mulher fascinante por isso.
Meiga e sensível, Vera veio para a Capital da Amizade para embelezá-la com sua música eterna, uma sinfonia de vida e de amor à cidade e seu povo. Ela é como o próprio Schubert e "sua alma flutua sob asas invisíveis por mares, paisagens, castelos e a neve da terra natal que deixou para trás".