Capítulo 5:


Autores: Alunos do 3º semestre de Comunicação Social - Universidade São Marcos.

Carina Pedroso Franza - Carolina Sirino da Silva - Sandra Alves - Thiago Frota - Thiago Sallas


CINEMA: SUA HISTÓRIA E ATUALIDADE  

Forma de arte do século XX que consiste no movimento de imagens,registradas em uma película a cores e branco e preto e projetada numa letra. O cinema combina vários elementos próprios, de outras artes, tais como música, teatro ou literatura, integrando-os numa linguagem específica e original, que depende da evolução das técnicas, nomeadamente as que dizem respeito a tecnologia da ação, das fotografias, da projeção das imagens e da produção de som, bem como técnicas de filmagem e montagem.

“O cinema era apenas uma máquina de imprimir teatro, de visualizar a música, ilustrar a literatura. Hoje através do avanço da tecnologia, o cinema é uma grande máquina de fazer ilusões, ficção, romance e viagens”.

Multimídia

Sistema de fornecimento de informação que combinam diferentes formatos de conteúdo e instalações de armazenamento oferecendo, novas ferramentas para o desenvolvimento de aplicações que integram os recursos de texto, vídeo, som, animações, imagens, fitas de vídeo, fitas de áudio, discos magnéticos e discos ópticos.

Ex.: ilustrações, desenhos, filmes, internet, lucros e qualquer outro tipo de edições e publicações.

“O fabuloso mundo da multimídia é tão infinito quanto a imaginação. Tudo pode! Não sei se o verbo apropriado é navegar ou voar.”

Animação Computadorizada

É uma integração de texto, gráficos, som, animação e vídeo. Uma categoria geral de aplicações de computador que converte documentos, ilustrações, fotografias e outras imagens em dados que podem ser armazenados, distribuídos, acessados e processados por computadores e estações de trabalhos especializadas.

A animação é um movimento que se impõe a um movimento subjetivo.

“Se trata de criar um mundo a partir do nada, para enriquecer ainda mais as possibilidades de estilos e animação oferecidas a publicidade....”

É uma das áreas que fornece suporte tecnológico aos sistemas digitais a multimídia. Ela está presente em diferentes formas, dentre as quais podemos destacar:

-  Interface com usuário

-  Geração por computador

-  Editoração eletrônica

Juntamente coma computação gráfica, a área de processamento digital de sinais, fornece suporte conceitual ligado a imagem digital, áudio digital e vídeo digital.

A presença da computação gráfica nos sistemas de multimídia é tão forte que alguns recursos dela emprestados passam até despercebidos do não especialistas: os sistemas de editoração eletrônica são na realidade sofisticados sistemas gráficos bidimensionais envolvendo modelagem, análise e visualização. Os sistemas de multimídia podem ser local ou distribuído. Nos sistemas distribuídos vários computadores controlam o sistema se comunicando através de redes de computadores.

Vídeo digital Interativo (DVI)

Uma tecnologia para comprimir e descomprimir vídeo e áudio para criar aplicações multimídia. O DVI pode armazenar até 72 minutos de vídeo de alta qualidade num compact disc. Usando o DVI, um espectador pode interagir com a imagem que está sendo mostrada.

Ex.: O espectador pode “andar” por um prédio gerado por computador, vendo os detalhes do seu interior de qualquer ângulo.

Vídeo Interativo/ Vídeo-on-demand

Uma combinação de tecnologia de vídeo e de computador na qual os programas ficam o controle do usuário em que, pelo emprego de avançada eletrônica digital, se permite que cada usuário escolha a programação que deseja assistir, na hora desejada. As escolhas e as decisões do usuário afetam diretamente as maneiras como o programa se desenrola.

Multimídia no cinema

A interação da multimídia se dá através da diversidade dos meios, das línguas, das imagens, sons e etc. As novas compressões acontecerão, em grande parte, como conseqüência, com integração dos meios de comunicação: REALIDADE VIRTUAL e ANIMAÇÕES estão expandindo nos produtos multidiaticos.

Ex.:

O filme Toy Story – um mundo de aventuras, marco da animação computadorizada, de grande sucesso entre o público, produzido pela Walt Disney.

O filme Inspetor Bugiganga, uma mistura entre efeitos especiais, imagens computadorizadas.

O filme Castelo Rá-tim-bum, efeitos especiais e computação gráfica.

O fabuloso mundo da multimídia no cinema incluem:

-  animação computadorizada

-  linguagem

computação gráfica

áudio

Linguagem

Para se trabalhar com a linguagem do cinema é necessário um conjunto de equipamentos gráficos de entrada e saída, permitindo a elaboração de documentos com alta qualidade de apresentação a um custo acessível.

Após o planejamento e desenvolvimento do layout, a maioria dos trabalhos realizados com ferramentas de editoração eletrônica consiste, basicamente, de cinco etapas:

-  redação e revisão;

-  criação das ilustrações;

-  diagramação;

-  impressão de provas;

-  impressão final.

As tensões entre a economia de linha dura e a criatividade artística são mais evidentes na indústria cinematográfica do que em qualquer outro setor da mídia.

Os estúdios, em sua grande maioria, estão constantemente pressionados entre os lucros gerados por eventuais megas sucessos e as perdas decorrentes de outros filmes.

Apesar dos seus modos tortuosos de fazer negócios, a indústria cinematográfica há décadas vem demonstrando uma extraordinária resistência. Previsões sobre o declínio e queda de Hollywood tem sido um tema recorrente durante a maior parte da sua história. Mas, a indústria é hoje mais próspera do que em qualquer período do passado, principalmente porque tem se expandindo para além dos filmes de longa-metragem, em direção a uma armadura de novas fontes de renda, indo dos videocassetes aos parques temáticos do tipo Disneylândia. Hollywood é, na verdade, um negócio muito grande.

Inovações nos negócios são um meio de lidar com a ameaça imposta pelas novas tecnologias de mídia. A indústria cinematográfica pôde cooptar a tecnologia da televisão em proveito próprio. Contudo, ela talvez tenha mais dificuldade em chegar a um acordo com seus atuais desafiantes, como a TV de alta definição, os DBSs e a programação PPV a cabo, bem como o novo mix, de produtos para computadores multimídia.

A indústria cinematográfica tem de chegar a um acordo com uma nova onda de tecnologia que alteram tanto  os seus produtos quanto a maneira como são distribuídos. Os computadores multimídia e os CD-ROMs estão empurrando a indústria de filmes para novas formas de produção. Todos os grandes estúdios criaram unidades especiais de produção para desenvolver produtos para formatos CD-ROM e jogos tipo Nintendo. Nesse meio tempo, a indústria se volta novamente para o seu público tradicional: as pessoas que pagam para ver um filme no cinema. Tem havido relativamente poucas mudanças na maneira como os filmes são projetados desde a introdução da tecnologia da tela larga, há 40 anos. Os filmes ainda são enviados aos cinemas, em grandes carretéis acondicionados em latas para então, serem projetados de cabines no fundo da sala. A maior mudança atual na distribuição de filmes é o rápido aumento do que a indústria chama de multiplex que, oferecem três ou quatro filmes diferentes.

A indústria está de olho também em uma outra inovação: salas desenhadas para apresentar filmes especiais em telas gigantes, que tem, muitas vezes, a altura de quatro ou cinco andares. Uma inovação mais requintada é o leisure simulator, uma plataforma móvel que usa a mesma tecnologia empregada no simulador de vôo. Reconfigurado mais como um pequeno cinema do que como a cabine de um avião, os movimentos da plataforma montada em seis eixos são coordenados com o filme projetado numa tela larga, dando ao público a impressão de que está se movendo junto com a ação do filme.

Os efeitos podem ser absolutamente artificiais, mas não com freqüência atordoantes. A digitalização e outros efeitos computadorizados aumentam as bilheterias.

A indústria cinematográfica está à beira de uma grande transformação nos produtos que faz e nas maneiras como os distribui. Antigamente, precisava enfrentar uma inovação de cada vez. Agora, deve lidar com uma série de novas tecnologias, cada uma das quais representa uma ameaça e uma oportunidade para suas futuras operações. Essas inovações incluem o DVD, a HDTV e o PPV.

Dá-se ênfase à criação  de sinergias entre os vários interesses dos conglomerados na mídia, cada um, desses apoiando os outros na produção e comercialização dos seus produtos.

O estúdio Walt Disney vem explorando as possibilidades de multimídia do Mickey, do Pato Donald, Bambi, Roger Rabbit, Rei Leão e tantos outros habitantes do bestiário dos seus desenhos animados há mais de meio século. O encaixe entre o negócio cinematográfico no modelo multimídia sinergético que vem dominado a estratégia da indústria da mídia em anos recentes é um risco que os cineastas estão tomando como uma inovação.

Novas funções , Novos padrões

Fusões e aquisições vão continuar sendo ocorrências comuns na indústria cinematográfica conforme ela se ajusta aos estáveis padrões impostos pelas novas tecnologias e a economia.

Hoje em dia, as fórmulas para o sucesso são mais complicadas. O padrão demográfico americano está mudando radicalmente, juntamente com as maneiras como os americanos distribuem o seu tempo e dinheiro para as atividades de lazer dentre a cada vez mais extensa lista de opções.

Também há os problemas incômodos, ainda que extra oficiais, de censura. Durante décadas, a produção de filmes foi inibida pelo Código de Produção de Filmes Cinematográficos, que classificava os filmes de acordo com a escala de moralidade. O código foi eliminado nos anos 60, sendo substituído por um sistema de classificação mais flexível.

O mercado internacional sempre foi um componente crítico no sucesso financeiro de Hollywood. Nos anos 30, as receitas de exterior representavam mais de metade das rendas da indústria. Existem indústrias cinematográficas em mais de sessenta países, mas, caracteristicamente, suas produções limitam-se a temas locais. Foi Hollywood quem inventou o filme internacional.

Ao contrário dos seus concorrentes estrangeiros, os estúdios de Hoolywood fazem filmes em todas as partes do mundo, contratando diretores, atores e escritores locais.

A transição para os novos produtos de multimídia demorará um pouco mais, dados os dispendiosos problemas de produção, marketing e distribuição envolvidos. Mas a tecnologia está pronta, preparada para mudar a maneira como a indústria produz e distribui seus produtos. Hollywood continuará fazendo filmes, mas eles serão diferentes. A reputação da indústria como a maior fábrica de sonhos do mundo permanecerá. Como um dos seus lendários diretores de cinema, Billy Wilder, disse certa vez: “Posso lhe garantir que, no dia em que o mundo acabar, alguém estará lá filmando a segunda parte.”

“Os computadores ligados às redes serão as máquinas impressoras do século XXI.” Esta previsão, feita no início dos anos 80 por Ithiel de Sola Pool. Sua previsão foi ignorada na época pela maioria dos especialistas da indústria editorial como uma fantasia futurista, no entanto, está se realizando ainda mais depressa do que se poderia imaginar.

O Cinema como agente do processo histórico

Uma rápida olhada sobre a história da cinematografia mundial seria suficiente para nos convencermos de que o cinema exerceu, ao longo do século XX, grande influência no processo histórico. Se exemplos como o de Nascimento de uma nação, Encouraçado Potemkin e JFK: uma pergunta que não quer calar são evidentes, o mesmo não ocorre com a maior parte dos filmes produzidos nesse século. É necessário o espírito crítico e histórico para se perceber as nuanças dessa ação, assim como a sua dialética. Não se trata apenas de concluir que o cinema, como qualquer outro discurso, incluindo o histórico, exerce certa influência sobre a história dos indivíduos, mas de ir a fundo nessa perspectiva, desvendando suas conexões. Trata-se de um trabalho que depende tanto da construção de um arcabouço teórico, como de uma prática de pesquisa em que se baseie.

Como afirma Jorge Nóvoa,

"O fenômeno do cinema se transformou assim rapidamente em um excelente meio para dominar corações e mentes, criando e manipulando a realidade, elaborando uma outra realidade que quase sempre não coincide objetivamente com o processo histórico que pretende traduzir. A realidade-ficção do cinema traduz as leituras e interpretações das camadas sociais que, direta ou indiretamente, controlam os meios de produção cinematográficos. Esta se tornou, ao longo do século, em um dos mais eficazes instrumentos promotores de substância ideológica coesionadora das dominação do capital nas diversas nações e no mundo, a ponto de se usar, de mais a mais, em alguns meios científicos e em algumas latitudes/longitudes, já não mais tanto a idéia do consenso, mas a noção da era do pensamento único, para acentuar a dominadora ação dos meios de comunicação hoje.

Assim, se não bastasse a importância do cinema-divertimento ou o cinema-arte como laboratório para a investigação do historiador, é preciso examinar a fundo o cinema como veículo de ideologias formadoras das grandes massas da população e que pode ser utilizado com plena consciência de causa, como fonte de propaganda. Além disso, é preciso examinar o impacto avassalador da televisão e do videocassete como prolongamentos do cinema e todas as outras formas de comunicação audiovisuais que derivaram, em grande medida, do cinema.

As películas cinematográficas demonstraram, de modo irrefutável, desde o início da história do cinema, a sua eficácia como instrumento formador de consciências e a sua função de agente da história. A difusão do fenômeno do cinema ajudou no sentido da constituição de uma mentalidade cada vez mais urbano-industrial moderna, cada vez mais civilizada, mas não necessariamente a sua função foi emancipadora, dotando o homem da cidade de uma maior consciência histórica que aquela dos residentes nos campos. A difusão do civilismo oriundo dos processos fundadores do Estado moderno e das revoluções ditas liberais visava não apenas a manutenção do status quo, mas também produzir e reproduzir as novas relações sociais, econômicas e políticas em condições de máxima eficiência. O resultado é que a mentalidade produzida, particularmente após a revolução cinematográfica, não foi o fruto de uma verdadeira consciência histórico-objetiva. Ela foi sobretudo, direta e/ou indiretamente, conseqüência da consciência social dos indivíduos detentores da propriedade privada dos meios de produção social da cultura cinematográfica.

Caso se considere o alcance gigantesco da comunicação promovida através das películas, seja na sala escura dos cinemas ou através dos televisores, o problema da ação da ideologia dominante adquire ainda uma maior importância. Foi também como conseqüência desse fato incontestável que as fábricas de ilusões se desenvolveram tanto no século que finda. Dentre outras razões, estas seriam suficientes para que a sensibilidade dos historiadores encontrassem aí terreno fértil no combate pela reconstrução da saga do século XX. O cinema agiu, ao longo desse século, como insubstituível instrumento de produção e difusão, não de consciência real, muito menos de ciência, mas de massificação de ideologia mantenedora do status quo. Isso foi sem dúvida o que ocorreu durante a vigência de pelo menos dois importantes fenômenos: o nazi-fascismo e o estalinismo. Seguramente também é o que ainda ocorre através da ação da maior fábrica de ideologia que já se conheceu até pelo menos o advento da televisão: a indústria cinematográfica dos Estados Unidos ou simplesmente Hollywood."

Centro de produção de vídeos históricos

Um dos objetivos da Oficina Cinema-História é a criação de um centro de produção de vídeos (documentários) históricos, destinados à difusão do saber histórico e à aplicação didática.

A criação de um centro de produção de vídeos históricos ainda é um empreendimento difícil (se pensado no domínio da História) e oneroso (para a nossa realidade que coincide com a de grande parte dos pesquisadores e professores em História no mundo e, particularmente, no Brasil), mesmo com a crescente simplificação e barateamento da aparelhagem técnica, fruto dos avanços tecnológicos.

Nos trabalhos já desenvolvidos, a Oficina Cinema-História, através de seus pesquisadores e colaboradores, já teve condições de teorizar sobre a problemática que envolve a produção de vídeos históricos. Foram desenvolvidos "laboratórios de reflexão" sobre o tema, além da experiência adquirida no processo de produção do documentário “A meia –noite do século”.

"O Cinema Russo dos anos 20: A Década de ouro"

OBJETIVOS: realizar uma série de vídeos que tratará de experiências cinematográficas vistas sob o prisma da relação cinema-história. O primeiro desses vídeos abordará o cinema russo dos anos 20, importante momento da história da cinematografia mundial, em que a relação cinema-história aflora com todas as suas forças. Recuperar a experiência cinematográfica de cineastas como Serguey Eisenstein, Dziga Vertov, Pudovkin e inseri-las no processo histórico e na ótica/perspectiva da História é o objetivo deste vídeo.

JUSTIFICATIVAS: trazer para o mundo das imagens um pouco da teorização da relação cinema-história por meio de um fenômeno histórico concreto, o cinema russo dos anos 20.

Os não-documentários

Existe uma infinidade de filmes não-documentários que se reportam ao passado. Todavia, eles se diferem bastante uns dos outros, fato que dificulta que lhes seja dado um tratamento científico e sistemático. É pensando nessa dificuldade que propomos uma classificação para os “filmes históricos” não-documentários, baseada em critérios que consideram o conteúdo histórico dos mesmos e que compreende os seguintes tipos:

-  Reconstrução Histórica: corresponde aos filmes que abordam acontecimentos históricos cuja existência é comprovada pela historiografia e que contam com a presença de personagens históricos reais no seu enredo (interpretados por atores), cuja fidelidade é relativa e se modifica de um filme para outro. Não se trata apenas dos filmes em que se realiza uma reconstrução audiovisual do passado (o que dificilmente é levado às últimas conseqüências) ou mesmo dos fatos, mas também daqueles em que são esboçadas interpretações históricas, utilizando fatos comprovadamente reais. Como exemplos de reconstruções históricas, podemos citar Outubro (1927, S. Eisenstein), A lista de Schindler (1993, S. Spilberg), Spartacus (1960, S. Kubrick), 1592: a conquista do paraíso (1992, Ridley Scott) ou A rainha Margot (1994, Patrice Chéreau).

-  Biografia Histórica: trata-se dos filmes que se debruçam sobre a vida de um indivíduo e as sua relações com os processos históricos. Na maior parte dos casos, esses filmes se limitam à abordagem da vida dos chamados “grandes homens”, ou seja, aqueles indivíduos destacados pela historiografia escrita e, principalmente, a tradicional. Como exemplos, citamos Napoleão (1927, Abel Gance), Cromwel (1970, Ken Hughes), Lamarca (1994, Sérgio Resende) ou Rosa Luxemburgo (1986, Margareth von Trotta).

-  Filme de Época: compreende aqueles filmes cujo referente histórico não passa de um elemento pitoresco e alegórico, e cujo argumento nada possui de histórico no sentido mais amplo do termo. São inúmeros os exemplos de filmes de época: Sissi (1955, Ernst Marishka), A amante do rei (1990, Axel Corti) ou Angélica e o rei (1965, Borderie). Mesmo assim, alguns deles podem possuir elementos interessantes para o historiador, principalmente aqueles em que existe uma preocupação formal maior com a reconstrução ambiental e dos costumes, como é o caso de Ligações perigosas (1988, Steaven Frears), por exemplo.

-  Ficção Histórica: abarca os filmes cujo enredo é ficcional, mas que, ao mesmo tempo, possui um sentido histórico real. Como exemplo deste tipo de filme, podemos citar O nome da rosa (1986, Jean-Jaques Annaud), A greve (1923, Eisenstein), A guerra do fogo (1981, Jean-Jaques Annaud), Lili Marlene (1980, Fassbinder) etc.

-  Filme Mito: são aqueles filmes que se debruçam sobre a mitologia e que podem conter elementos importantes para a reflexão histórica. Muitas vezes, o mito é apresentado em paralelo a fenômenos históricos reais. Podemos citar, por exemplo, El Cid (1961, Antonny Mann) e A guerra de Tróia (1961, Giorgio Ferroni).

-  Filme Etnográfico: agrupa os filmes realizados com interesses científico-antropológicos. Como exemplo, podemos citar a produção pioneira de Flaherty (Nanouk, o esquimó).

-  Adaptações Literárias e Teatrais: engloba os filme que são oriundos de uma adaptação de obras literárias e teatrais do passado. Alguns exemplos são Germinal (1995, Claude Berri) , Luciola: o anjo pecador (1975, Alfredo Sternheim), Os miseráveis (1978, Gleal Joadan), Hamlet (1990, F. Zeffirelli), Henrique V (1945, Laurence Olivier), 1984 de Orwell (1984, Michael Readford).

O filme como testemunho do presente

O cinema é um testemunho da sociedade que o produziu e, portanto, uma fonte documental para a ciência histórica por excelência. Nenhuma produção cinematográfica está livre dos condicionamentos sociais de sua época. Isso nos permite afirmar que todo filme é passível de ser utilizado enquanto documento. No entanto, para utilizar-se cientificamente de uma tal assertiva, requer-se cautela e cuidados especiais. A forma como o filme reflete a sociedade não é, em hipótese alguma, direta e jamais apresenta-se de maneira organizada (em circuitos lógicos e coerentes), mesmo que assim o aparente. Por isso, é necessário que o pesquisador, ao tratar o filme como fonte documental, distancie-se da concepção mecanicista pela qual o reflexo social é abordado de forma direta, tão cara ao pensamento vulgar de uma das vertentes da sociologia histórica dita marxista, nos séculos XIX e XX, e que pode ser identificada, por exemplo, nas idéias defendidas por Plekhanov, numa linha de pensamento que se afirmou como dominante no seio da II Internacional e que influenciou bastante a teorização sobre a arte de vários segmentos da esquerda em todo o mundo. Outros pensadores, por sua vez, se opuseram à postura plekhanovista, a exemplo de Mehering, para quem a arte, na sua dialética da criação, não constituía um mero reflexo social, valorizando, assim, o momento subjetivo na teoria estética.

Toda produção cinematográfica é um produto coletivo, não apenas por conter elementos comuns a uma coletividade, mas por ter sido, de fato, realizada por uma equipe (diretor, produtores, financiadores e tantos outros). No entanto, nem isso, nem os seus condicionamentos sociais eliminam a presença do caráter individual e artístico de cada obra, cuja análise é, por vezes, dificultada pelo fato da arte nem sempre seguir modelos lógicos e coerentes e possuir um grau elevado de subjetividade. Pense-se, por exemplo, Discreto charme da burguesia (1972, Luis Buñuel) ou O matador (1986, Almodóvar). É também necessário ressaltar que a estética também se encontra condicionada socialmente. E não apenas a estética, como também a própria linguagem cinematográfica como um todo (os movimentos de câmara, os planos, os enquadramentos, a iluminação etc.). Portanto, esses aspectos precisam ser levados em consideração no momento da análise de um filme pelo historiador, o que, na maior parte dos casos, não é uma tarefa fácil, devido à sua falta de preparação.

Para o melhor aproveitamento do caráter documental do filme, é necessário que o pesquisador, o “analista”, saiba dissecar os significados “ocultos” (porém presentes: não se trata de caminhar na via das elucubrações e especulações) existentes na película. O método de investigação consiste, simplificadamente, em buscar os elementos da realidade através da ficção.

O valor documental de cada filme está relacionado diretamente com o olhar e a perspectiva do “analista”. Um filme diz tanto quanto for questionado. São infinitas as possibilidades de leitura de cada filme. Algumas películas, por exemplo, podem ser muito úteis na reconstrução dos gestos, do vestuário, do vocabulário, da arquitetura e dos costumes da sua época, sobretudo aquelas em que o enredo é contemporâneo à sua produção. Mas, para além da representação desses elementos audiovisuais, elas “espelham” a mentalidade da sociedade, incluindo a sua ideologia, através da presença de elementos dos quais, muitas vezes, nem mesmo têm consciência aqueles que produziram essas películas, constituindo-se, assim, como sentencia Ferro, em “zonas ideológicas não-visíveis” da sociedade. Postula-se, assim, que um filme, seja ele qual for, sempre vai além do seu conteúdo, escapando mesmo a quem faz a filmagem.

Na mesma linha de pensamento, Siegfried Kracauer — um dos pioneiros da utilização do cinema como documento de investigação histórica — diz que “o que os filmes refletem não são credos explícitos, mas dispositivos psicológicos, profundas camadas da mentalidade coletiva que se situam abaixo da consciência”. Os filmes, na verdade, como todo produto humano e, portanto, histórico, contêm elementos que lhes foram inseridos de forma consciente e outros que não. Estes últimos, por sua vez, localizam-se numa esfera inconsciente, seja do produtor tratado individualmente, seja da coletividade como um todo. Dessa forma, a análise histórica do filme permite-nos também introduzir o método psicanalítico no estudo de fenômenos históricos, prática ainda pouco trabalhada (teórica e metodologicamente) pelos historiadores que se têm mostrado muito reticentes com a utilização da psicanálise em suas pesquisas.

É bom salientar que, se a sociedade exerce influência sobre a produção cinematográfica, a recíproca também é verdadeira. A ação exercida pelo cinema nos espectadores é um fato inquestionável, não obstante ainda não se tenha chegado a um consenso quanto ao seu grau de ação. Ter consciência desse mecanismo é fundamental para o trabalho analítico, visto que boa parte do conteúdo do filme, sobretudo no cinema dito comercial, é ditada pelos gostos e pelas expectativas do público os quais, por sua vez são influenciados pelos filme, numa relação altamente dialética. Cabe, então, ao pesquisador, buscar, detectar e diferenciar esses elementos. Mas essa tarefa, por vezes árdua e tortuosa, só pode ser realizada parcialmente, visto que o significado mais totalizante de uma película apenas pode estar presente nela própria. Toda tentativa de análise de um filme implica em uma redução do seu sentido em conseqüência da impossibilidade de uma análise total e acabada (só alcançável como hipótese). Todo processo de transformação (que se configura como uma abstração) das imagens em linguagem escrita ou verbalizada leva sempre ao empobrecimento relativo do seu significado.

Em comparação aos documentos escritos, pode-se afirmar que, em geral, os filmes possuem um maior grau de espontaneidade, fato que abre, sem dúvida, amplos espaços para a prática da investigação. Isto obriga o historiador a voltar seus olhos não apenas para o aparentemente mais significativo, mas também para o mais “banal”, “corriqueiro”: o detalhe quase imperceptível. Dessa forma, o cinema, ao lado de outras formas de expressão, acaba construindo uma História diferente da História institucionalizada, à qual Ferro se refere como sendo uma “contra-História”. Um exemplo disto pode ser encontrado na produção cinematográfica dos regimes totalitários e repressivos, nos quais o artista é obrigado a expressar o conteúdo de sua arte por meio de deslocamentos de discursos.

Fontes:

Chaves do cinema

Barthelemy Amengual

Ed. Civilização brasileira

Computação Gráfica

Jonas Gomes e Luiz Velho

Ed. SBM

Estadão – Prêmios de 1999

Linguagem Gráfica

Graziela Pinheiro

Ed. Érika

A Nova Mídia

Instituto Cultural Itaú


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