Capitulo 2:


Autor: Adriana C. Aviles de Lima - e-mail: adraviles@ig.com.br


TECNOLOGIA E VIDA SOCIAL

 

O homem moderno tem incluído em seu cotidiano uma série de hábitos recheados de alta tecnologia, que o empurra cada vez mais para o isolamento, refletindo em seu convívio social, transformando toda a sociedade. Por causa disso e do computador que nos interliga a todos os lugares, não há mais separação da casa e do trabalho, com isso temos o contrafluxo da urbanização- ninguém precisa viver nas grandes metrópoles para manter-se informado, pois faz isso facilmente com as novas tecnologias.

A revolução digital trouxe um golpe fatal com a chegada da internet. Ela oferece aos usuários o que as ruas já não podem oferecer mais: segurança, conforto, lazer sem gastar muito, parecendo uma saída aos problemas das cidades, mas não parece real, pois ela não substitui o contato social quando estes necessitam de olho no olho, como as relações afetivas por exemplo.

Com a vida digital a urgência de contato pessoal está cada vez mais em segundo plano. Com a entrada do computador na vida acadêmica por exemplo, alunos que trocavam experiências sobre suas disciplinas passaram a discutir só sobre programas de computador. As visitas feitas em museus de arte, espetáculos e cinemas caíram drasticamente.

Desse modo, é preciso repensar um pouco mais sobre as conquistas tecnológicas invadindo a vida social das pessoas, talvez o fato de tornar o computador mais secundário em suas atividades faça o indivíduo menos dependente dessa máquina conquistando novamente os contatos sociais reais e mais produtivos para cada pessoa.

Para André Lemos a tecnologia não é mais um instrumento de separação, ela se transforma em uma ferramenta convivial e comunitária.

Neste final de século, a dinâmica sócio-técnica que se instaura mistura as tecnologias digitais e a socialidade pós-moderna formando então a cibercultura, onde a forma técnica é transformada da apropriação técnica do social para apropriação social da técnica, havendo uma convergência entre o social e o tecnológico, é a socialidade que se apropria da técnica.

A socialidade é a multiplicidade de experiências coletivas baseadas no ambiente imaginário, passional, erótico e violento do dia-a-dia, Para Michel Mafessoli a socialidade é um conjunto de práticas quotidianas que escapam do controle social rígido, são os momentos de submissão da razão à emoção de viver o estar junto, assim é a socialidade que faz a sociedade. A cibercultura é marcada por esse comportamento.

Nos dias de hoje há um surgimento de uma "cultura do sentimento", Mafessoli identifica que seja formada por relações táteis, preocupando-se apenas com o presente vivido coletivamente. Isso caracteriza a formação de uma sociedade de comunicação estruturada através da conectividade generalizada, utilizando redes planetárias de comunicação( ciberespaço ) em tempo real. Esse comunitarismo tribal está presente nas redes telemáticas como a internet. A socialidade então vai ser alimentada pelas tecnologias micro-eletrônicas e pelo excesso de imagens. O que caracterizará a nova geração será a simultaneidade.

Com o desenvolvimento das tecnologias de comunicação e informação, podemos reconhecer ainda outro tipo de sociedade, a sociedade da informação, constituída por um público altamente educado e que tem acesso ao conhecimento. Na verdade há várias interpretações existentes sobre essa sociedade, o que realmente é importante é que a informação alcançou um alto patamar na sociedade contemporânea.

A revolução da informática está fazendo o poder econômico mudar de mãos, que está obrigatoriamente passando pelas mãos de quem tem esse controle sobre a informação.

Vivemos em nossos dias uma pós –industrialização - substituição da industrialização pelos serviços e informações como forma de economia dominante .

Vivemos em uma sociedade baseada na mídia, mas as características informacionais que nós encontramos vão mais além do que sugerem os sistemas de televisão, rádio e jornal. Dessa maneira, se torna imprescindível examinar o significado, a qualidade e o valor da informação. É preciso saber quem produziu a informação, com seus objetivos e conseqüências, abrindo um caminho mais amplo para avaliar a sociedade de informação.

Alguns autores analisam algumas ansiedades a serem trabalhadas; como os transtornos que as novas tecnologias podem causar à rotina e rituais da família, ameaçando seus valores, que pode ser vista também como uma "revolução doméstica".

É preciso reconhecer o significado social que o consumo das novas tecnologias agrega para profissionais e estudantes, empregados autônomos e desempregados, homem e mulher e nos dias de hoje até nas crianças, que define seu caráter social através do poder da cultura familiar.

Com toda essa análise não podemos deixar de citar os que ficam excluídos desse processo, talvez esse seja o futuro imperfeito das novas tecnologias que se configura sobretudo pelas desigualdades culturais e econômicas cada vez mais impostas aqueles que se encontram a margem da sociedade, os "sem tecnologia".

Para remanejar o mercado e toda essa face da realidade é preciso encontrar caminhos criativos e políticas públicas para não aumentar ainda mais as diferenças de oportunidades e para que não sejam ampliados os tradicionais níveis de desvantagens. É preciso ir mais além das atuais atitudes que o governo toma, que além de serem insuficientes, são quase inúteis para abranger toda a nossa sociedade, que está carregada de diferenças sociais, culturais e econômicas.


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