Everaldo d'Alverga |
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As fotos de Evandro Teixeira, 37 anos como fotógrafo do Jornal do Brasil, são aulas de fotojornalismo para qualquer pessoa interessada ou não em fotografia. Evandro consegue mostrar sua sensibilidade desde um "Clóvis" fotografado no meio da rua até as fotos feitas por ocasião da primeira visita do Papa ao Brasil. Até hoje ninguém sabe se Evandro tem algum acordo com Deus para demonstrar tanta sensibilidade numa atividade tão difícil que é o fotojornalismo. Evandro consegue, e o Papa deve ter recebido alguma mensagem para não contrariá-lo no exercício da profissão. Aliás, falando em Papa, Evandro talvez seja o único fotógrafo no mundo para quem Sua Santidade toma a benção e se curva, atendendo aos seus pedidos, para deixar que sua arte seja exercida em toda plenitude. Isso pode parecer exagero, mas não é. Era do conhecimento apenas do meio jornalístico o que aconteceu com o Evandro por ocasião da visita do Papa João Paulo II ao Brasil, em 1980. Quando o Papa se ajoelha para beijar o chão, na chegada ao Galeão, ainda na pista, Evandro perde a foto e não se faz de rogado e grita: "Repete aí, ó Seu Papa". O que é pior, ou melhor, o Papa espantado repete. Evandro então faz a foto e com um sorriso malicioso, sorriso daquelas pessoas que têm cumplicidade com Deus, diz; "A gente tem que tentar sempre a melhor foto. Até o Papa sabe disso". Até a algum tempo, se alguém comentasse isso fora do meio, iam dizer que é mentira. Não é. Tudo foi confirmado e se tornou público com a matéria do Caderno B do Jornal do Brasil de 09 de abril de 2000. Dessa maneira, expor o sagrado ficou fácil. Percebemos isso quando vemos a foto do Papa olhando a mão que surge do nada, querendo mostrar que aquele que ela está procurando é o fotógrafo escolhido e parece que o Papa pergunta: "Quem é ele e o que ele tem que eu não tenho?". Deus responde: "Ele tem máquina fotográfica e é o Evandro Teixeira. Precisa mais?".
Ao fotografar a visita do rei Olavo da Noruega ao presidente Costa e Silva, no Rio, 1967, Evandro captou a demonstração das intenções do ditador de plantão àqueles que se opusessem ao seu governo, pois foi na gestão de Costa e Silva que o famigerado Ato Institucional n.º 5 seria decretado em 14 de dezembro de 1968. Seu olhar tomou ares premonitórios porque o AI-5 foi o ponto de partida para os piores anos da ditadura militar. Era a orientação para eliminar qualquer divergência sobre qualquer aspecto que pudesse surgir, fosse ele econômico, político, ideológico, cultural, educacional, etc. Generalizou-se, sem trocadilho, a violência, prisões arbitrárias, espancamentos, tortura, atentados e assassinatos.
As fotos do livro "CANUDOS 100 ANOS" expostas no Instituto Cultural Villa Maurina, mostra um sertanejo resistente, sofrido e um local onde as desigualdades, as injustiças, as diferenças culturais, sociais e econômicas permanecem quase intocadas pela superexploração de latifundiários.
Canudos, a cidade de Antônio Conselheiro, símbolo de uma resistência que os poderosos quiseram destruir de todas as maneiras, inclusive tentando afogar o açude de Cocorobó, resiste e insiste em mostrar com suas ruínas o arbítrio existente no país. Isso possibilitou ao Evandro fazer uma releitura de um fragmento da História do Brasil e reescrever com imagens fortes, porém belas, pequena, mas significativa parte da história do autoritarismo brasileiro. Não se trata de uma simples exposição; nessa retrospectiva, Evandro, com seu olhar, nos brinda com os grandes temas da vida que são o homem, a natureza, a política, a liberdade, a história, a sociologia, a psicologia, o amor e a morte, a poesia na foto das libélulas desafiando a ponta de baionetas, numa exposição de armas de guerra do Paraguai, no Rio de Janeiro, 1966, em pleno regime militar.
Com a experiência de um profissional que cobriu os mais importantes acontecimentos sociais, políticos e esportivos do Brasil e do mundo, nós recebemos uma verdadeira aula de Fotojornalismo e História dada por "Evandro Teixeira, um fotógrafo brasileiro".
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