O Portal da Fé


Zenita Andrade

O Terço de Prata

Em 1961 eu estava bastante preocupada com a minha situação financeira. Abandonada pelo marido, com uma filha de 10 anos de idade, sem casa para morar, tinha apenas minha profissão de Artífice de Artes Gráficas. Morava em Belo Horizonte e vim para o Rio de Janeiro. Quando procurava emprego, não era aceita por ser mulher. Só homens exerciam aquela função.

O único jeito foi levar minha filha para estudar num colégio de Freiras em Petrópolis e arranjar um emprego doméstico para que eu pudesse ter casa e comida. Tive sorte, pois logo consegui trabalho numa residência na zona sul do Rio.

No primeiro domingo de folga, peguei o ônibus e segui viagem à Petrópolis para visitar minha filha. Quando passei na Av. Brasil, vi a igreja de Nossa Senhora da Penha e com muita Fé, fiz naquele momento uma promessa:

Sempre que visitava minha Filha, saíamos do colégio e enquanto andávamos pelas ruas da cidade, contava a ela as coisas que aconteciam e os meus planos por melhores dias de sobrevivência. No fim da tarde, eu a levava de volta ao colégio e regressava ao Rio. Numa segunda-feira, fui ao centro do Rio. Admirava as lindas vitrines com seus sapatos, fazenda, vestidos, quando uma, de artigos religiosos me chamou atenção. Aquela loja vendia terços feitos de contas coloridas de diversas cores. Fiquei vidrada num terço de prata e só não o comprei porque não tive dinheiro para pagar o valor daquela jóia.

Na semana seguinte, de volta à Petrópolis contei à minha filha sobre a promessa que havia feito. Naquele momento estávamos na Avenida principal e quando terminei de falar, olhei para o chão e vi na minha frente umas bolinhas de prata, juntinhas num buraco do asfalto. Peguei aquelas contas e quando as levantei nas minhas mãos, vi que era um terço igual ao que havia visto na vitrine no centro do Rio. Fiquei muito contente e disse em voz alta:

- Marlene, o terço eu não preciso comprar, porque acabei de achar um igual àquele que está lá na vitrine no Rio.

Depois do fato ocorrido, a minha situação ficava melhor à cada dia que ia passando. Consegui emprego no Ministério da Saúde, fiz curso de Impressor Off-set e passei a ser Funcionária do Depto Nacional da Criança. Aluguei um quarto no centro do Rio de Janeiro, minha filha terminou o curso primário, veio para o Rio estudar em outro colégio e mais tarde se formou Professora.

Depois de ter passado tudo que já contei é que pude ir a Igreja da Penha cumprir a promessa de conhecer aquela  Igreja e lá rezar o terço. Lá no altar, vi a imagem de Nossa Senhora da Penha, carregando o Menino Jesus, tendo nas mãos um terço igual àquele que achei em Petrópolis.

Com o meu terço, cumpri minha promessa e depois de algum tempo aquele terço misterioso sumiu de dentro da minha bolsa. Hoje tenho uma vida feliz, minha filha se casou e eu estou aposentada.

Vocês, prezados amigos, nos momentos mais difíceis de suas vidas, tenham sempre Fé em Deus e na Mãe de Jesus e que ela nos proteja!


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